Empresas que investem em migração para a nuvem e não obtêm o resultado esperado frequentemente chegam ao mesmo ponto: abandonam o ambiente cloud e retornam ao on-premises com custo elevado. Esse movimento tem nome, cloud exit, e quase nunca acontece por culpa da tecnologia. Ocorre porque a migração foi feita sem planejamento adequado, sem definição clara de objetivos e sem uma metodologia que conectasse a decisão técnica às necessidades reais do negócio. Neste artigo, você vai entender quais erros levam ao cloud exit e como evitá-los seguindo uma abordagem baseada no Cloud Adoption Framework da Microsoft.
O cloud exit possui custo duplo, o investimento feito na migração que não entregou o resultado esperado e o custo de reverter ou reorganizar o ambiente. Entender por que esse ciclo se repete é muito importante para evitá-lo.
O que é o Cloud Adoption Framework e por que ele existe
A Microsoft desenvolveu o Cloud Adoption Framework, o CAF, como uma metodologia estruturada para orientar empresas na adoção da nuvem Azure. Seguir o CAF é a forma mais direta de evitar o cloud exit, porque o framework foi construído exatamente para endereçar as falhas que fazem as migrações não entregarem o resultado esperado. Ele funciona como uma referência de governança que cobre as etapas que precisam acontecer antes, durante e depois da migração para que a nuvem entregue o valor prometido.
O CAF está organizado em fases que cobrem estratégia, plano, preparação, adoção, governança e gerenciamento. Cada uma dessas fases tem objetivos específicos e, quando uma delas é ignorada ou acelerada sem o trabalho necessário, os problemas aparecem mais adiante no projeto.
O que a experiência mostra é que a maioria dos cloud exits tem origem em erros cometidos nessas fases iniciais, antes mesmo de o primeiro servidor ser migrado.
Os erros que acontecem antes da migração
Migrar sem definir o objetivo de negócio
A pergunta “por que estamos migrando para a nuvem?” precisa de uma resposta de negócio, não apenas técnica. Reduzir custos, ganhar escalabilidade, melhorar a disponibilidade ou modernizar aplicações são objetivos legítimos e verificáveis. Migrar porque “a nuvem é o futuro” não é.
Quando o objetivo não está claro, a empresa não sabe como medir o sucesso da migração. Assim, sem critério de sucesso, qualquer custo inesperado ou dificuldade técnica se transforma em justificativa para questionar se a decisão foi correta.
Não fazer o inventário do ambiente atual
Uma migração para a nuvem bem-sucedida começa com um mapeamento preciso de tudo que existe no ambiente on-premises: servidores, aplicações, dependências, versões de sistema operacional, volumes de dados e padrões de uso. Sem esse inventário, a equipe de migração trabalha com estimativas.
Estimativas erradas geram dois problemas. O primeiro é técnico. As aplicações que não foram mapeadas corretamente chegam à nuvem com problemas de compatibilidade ou dependências quebradas. O segundo é financeiro. O dimensionamento incorreto dos recursos na nuvem produz custos maiores do que os previstos, que é uma das principais razões citadas para o cloud exit.
Ignorar a etapa de “pronto” (Ready)
O CAF define uma fase chamada Landing Zone, que é a preparação do ambiente de nuvem antes de começar a migrar cargas de trabalho. Esse processo inclui definir a estrutura de identidades e acessos, as políticas de segurança, a arquitetura de rede, os padrões de nomenclatura e as práticas de governança.
Empresas que pulam essa etapa para acelerar a migração criam um ambiente de nuvem sem estrutura. Cada carga de trabalho migrada aumenta a complexidade de um ambiente que nunca foi planejado para escalar. Reorganizar a Landing Zone depois que o ambiente está em produção é mais caro e mais arriscado do que fazê-lo corretamente desde o início.
Os erros que acontecem durante e depois da migração
Migrar sem modernizar
O modelo lift-and-shift, que consiste em mover uma aplicação para a nuvem sem alterar sua arquitetura, é uma estratégia válida em algumas situações. No entanto, quando é aplicado de forma indiscriminada a todas as cargas de trabalho, o resultado é um ambiente de nuvem que replica os mesmos problemas do ambiente on-premises, com custos maiores.
Aplicações que foram desenvolvidas para rodar em servidores físicos dedicados não foram projetadas para aproveitar os recursos de escalabilidade, elasticidade e serviços gerenciados que a nuvem oferece. Migrá-las sem avaliar oportunidades de modernização é um desperdício de investimento.
Não configurar governança e controle de custos desde o início
Um dos benefícios mais citados da nuvem é a capacidade de escalar recursos conforme a demanda. Esse mesmo benefício se torna um problema quando não há governança sobre o que está sendo provisionado e por quem.
Os ambientes de nuvem sem políticas de controle de recursos crescem de forma desorganizada, com instâncias criadas para testes que continuam rodando e recursos superdimensionados que geram cobrança contínua. Esse padrão de desperdício é documentado pelo relatório State of the Cloud da Flexera, que aponta que empresas desperdiçam em média 29% dos gastos com nuvem em recursos ociosos ou subutilizados.
Não treinar as equipes
A migração para a nuvem muda a forma como as equipes de TI trabalham. Operações que antes eram realizadas localmente passam a ser executadas em ambientes distribuídos, com ferramentas diferentes e modelos de responsabilidade compartilhada que exigem novos conhecimentos.
Empresas que migram sem investir na capacitação das equipes criam uma dependência de consultores externos para operações que deveriam ser conduzidas internamente. Isso aumenta o custo operacional e reduz a capacidade de evolução do ambiente.
Como a BHS apoia a migração para a nuvem com método
A BHS é parceira Microsoft com certificações ativas em Infraestrutura Azure, Segurança e Modern Work, e tem mais de 30 anos de experiência gerenciando ambientes de TI para mais de 2.000 clientes em setores como financeiro, saúde e indústria.
A abordagem de migração da BHS é baseada no Cloud Adoption Framework da Microsoft, o que significa que cada projeto começa pelo diagnóstico do ambiente atual e pela definição dos objetivos de negócio antes de qualquer movimentação de carga de trabalho. A preparação do ambiente, a definição de governança e o treinamento das equipes fazem parte do escopo do projeto, não são etapas opcionais.
Após a migração, o Cloud Management Services da BHS garante a operação contínua do ambiente com FinOps mensal incluso, monitoramento de segurança e relatórios de otimização, criando as condições para que o investimento na nuvem continue gerando valor no longo prazo.
Quer entender como a BHS pode apoiar a migração para a nuvem da sua empresa com segurança e metodologia? Fale com nosso time.